CAMPUS AMAJARI – Projetos de extensão de alunos do CAM beneficiam comunidades do entorno

por Bruna Dionísio Castelo Branco publicado 17/10/2019 18h10, última modificação 22/10/2019 08h35
Em 2019 foram oferecidas 50 bolsas para toda a instituição. Dessas, 19 são de projetos oriundos do CAM

Promover a formação integral articulando ensino, pesquisa e extensão. Essa é a missão do Instituto Federal de Roraima (IFRR).  Um dos pilares que valorizam a marca da instituição no estado são as ações de extensão realizadas por docentes e estudantes de nível técnico e superior das suas unidades de ensino, como o Campus Amajari.

O Programa de Bolsa Acadêmica de Extensão (Pbaex) oferece aos estudantes uma bolsa mensal de R$ 400, com vigência de seis meses, para que as atividades do projeto sejam realizadas na comunidade local.

Em 2019 foram oferecidas 50 bolsas para toda a instituição. Dessas, 19 são de projetos oriundos do Campus Amajari (CAM). Localizado no norte do Estado de Roraima, o Município do Amajari é formado por várias vilas e comunidades indígenas. Entre as vilas do entorno da sede do Amajari está a do Trairão, com aproximadamente 700 habitantes. E foi no Trairão que a estudante Izabella Félix, de 16 anos, do 2.º ano do curso Técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio, encontrou o público para desenvolver seu projeto.

Executado pela estudante e orientado pela professora Luciana Barros, o projeto “Jovem Empreendedor: Trairão e suas potencialidades” visa promover encontros com estudantes do ensino médio regular da Escola Estadual Francisco Pereira da Silva, localizada na Vila do Trairão, para incentivar práticas empreendedoras.

Izabella conhece bem por onde começar a empreender, pois, para ajudar os pais a mantê-la na escola, começou um pequeno negócio de vendas de bolo de pote. Tendo a mãe como sua maior aliada, a estudante começou a fabricar bolos e vendê-los no intervalo das aulas no CAM. “Eu percebi que os alunos procuravam doces para comprar e nem sempre tinha no mercado local. Então minha mãe compra os ingredientes em Boa Vista e me ajuda na preparação e na embalagem dos potes. Com o dinheiro, posso ajudar nas despesas de casa e comprar a passagem para visitar meus pais no final de semana, pois moro no alojamento”, contou.

 

Izabella Felix usa sua experiência na comercialização de bolo de pote para projeto de extensão
Izabella Felix usa sua experiência na comercialização de bolo de pote no projeto de extensão

Um dos talentos do Trairão já identificados por Izabella é a jovem Daíze Lima Costa, de 19 anos. Ela é aluna do 1.º ano do ensino médio e afirma que o projeto é inspirador. “Eu já tinha uma ideia do que investir na Vila do Trairão, e os encontros têm me fortalecido a buscar o que quero. Penso em revender calçados, para que os moradores da região não precisem ir até à Capital comprar, o que sai muito caro”, revelou.

Os encontros ocorrem todas as quartas-feiras, das 8h às 12h, na escola da vila. Além de Izabella, os professores do CAM Luciana Barros e Rafael Barros participam das reuniões. Para ministrar as aulas, os docentes passaram pela capacitação Despertar, oferecida pelo Sebrae.

Alunos da Escola Estadual Francisco Pereira da Silva, localizada na Vila do Trairão
Alunos da Escola Estadual Francisco Pereira da Silva, localizada na Vila do Trairão

Para a professora orientadora, Luciana Barros, o projeto partiu de um olhar da aluna orientada. “O que estamos fazendo por esses jovens é muito pouco diante da necessidade deles, mas tem sido muito gratificante. A participação deles tem sido excelente. Não temos problema com faltas nem com desistências”, relatou.

Professora Luciana Barros que orienta o projeto Jovem Empreendedor
Professora Luciana Barros, que orienta o projeto Jovem Empreendedor

Ainda de acordo com a docente, a ideia é montar uma feira de empreendedores para que os jovens apresentem os resultados do projeto. “Vai ser uma oportunidade de mostrar o que desenvolvemos nessas etapas de capacitação, pois nosso foco é levar tudo o que podemos da reflexão do empreendedorismo e eles vivenciarem essa atividade na prática”, concluiu.

Já na Vila Brasil, sede do Município do Amajari, as alunas Klicya Mayanna (bolsista) e Anna Biatriz (voluntária), ambas do 2º ano do curso Técnico de Aquicultura integrado ao ensino médio, desenvolvem o projeto Fala Sério. Orientado pelo enfermeiro do campus Rafael Régis, o projeto visa realizar encontros pontuais com estudantes do CAM e da Escola Estadual Ovídio Dias, localizada na Vila Brasil, para um bate-papo aberto sobre educação sexual.

Para Klicya, a ideia de abordar essa temática surgiu em razão do número elevado de gravidez não planejada no município. “Pesquisei a respeito e percebi que havia muitos casos de gravidez na adolescência aqui. Então, resolvi desenvolver o projeto com os jovens da vila. Como adolescente, penso que é sempre bom conversar sobre o assunto na escola, pois em casa pode ser que o assunto seja um tabu”, revelou.

Bolsistas do projeto Fala Sério, as alunas Klycia e Biatriz
As alunas bolsistas do projeto Fala Sério, Klicya e Biatriz

Os encontros são dinâmicos. O formato “palestra” foi abolido pelas estudantes. “Fazemos rodinhas de bate-papo, e tenho percebido que os alunos têm se soltado mais a cada encontro, emitindo opiniões, fazendo perguntas e participando”, relatou. Para Klicya, o projeto tem sido um aliado para vencer a timidez. “Como sou muito tímida, no início também tive dificuldade de me expressar, mas comecei a aprender o assunto e também a ensinar, o que me faz deixar a timidez de lado”, contou.

Este é o segundo ano consecutivo que o enfermeiro Rafael orienta um projeto com esse tema. “Em 2018 o número de pessoas atendidas foi bem maior, pois a ação foi estendida e outros assuntos foram abordados, enquanto que em 2019 delimitamos o projeto a uma turma da Escola Ovídio Dias e a uma turma do CAM para abordar o tema gravidez não planejada na adolescência”, contou.

Conforme o servidor, desenvolver o Pbaex é sempre gratificante. “Com o programa consegui desenvolver o trabalho além daquele que já desenvolvo dentro do Instituto Federal, ou seja, consegui atender mais estudantes e ir além dos limites do IF”, explicou.

 

Rafael Régis, enfermeiro do CAM, orienta o projeto pelo segundo ano
Rafael Régis, enfermeiro do CAM, orienta o projeto pelo segundo ano

Ele percebe que a principal mudança é no comportamento dos alunos bolsistas, pois, com o projeto, eles aprendem a importância da pesquisa. “É característico do IF essa preocupação com a pesquisa. Diferentemente de outras escolas, há o desenvolvimento de outras ações além do currículo”, disse o servidor, que aposta no programa como um incentivo para que os estudantes almejem opções diferentes no futuro. “São coisas que não conseguimos quantificar, mas é perceptível a mudança na postura das alunas com o andamento do projeto”, completou.

Rafael admite que conversar sobre sexo ainda é um tabu, mesmo no ano de 2019. “As famílias ainda esperam muito que a escola tome a iniciativa de falar sobre o assunto, e muitos dos jovens nunca ouviram falar em planejamento familiar nem sabem como usar um preservativo ou um anticoncepcional. Não percebem a gravidade e as consequências de uma gravidez na adolescência. Isso é bem nítido nas duas realidades, tanto com os alunos do IF quanto com os alunos da vila. Conversar é uma alternativa entre muitas coisas que podemos fazer para mudar essa realidade”, concluiu.

Projeto Fala Sério: alunos do CAM recebem informações
Projeto Fala Sério: alunos do CAM recebem informações

Em 2018 e 2019, o CAM teve o maior número de bolsas aprovadas na instituição. Nestes dois últimos anos, houve um aumento significativo da participação dos servidores técnico-administrativos na seleção de bolsas. São submetidos, em sua maioria, projetos voltados para a temática rural, como o da Horta Comunitária e o de Beneficiamento de Peixe, porém projetos de cunho social também são destaque. Temas como esporte (karatê, futsal) e música seguem sendo explorados pelos discentes do CAM.

 

Bruna Castelo Branco
Ascom/Reitoria
17/10/2019

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